13 fevereiro 2004

Tu

Suave, gentilmente
Tocas por quem passas
Mas a tua marca é quente
Indelevel, perene
Forte, doce e viciante

A quem ouve abres a alma
Alargas o coração
Fazes viajar no sentimento
Deixas para trás o tempo
Da tristeza, e do tormento
Tens balsamo que salva.
Da beleza fazes canção
Do amor dás a lição.

Ves nas pequenas coisas
O sorriso de criança
Um pássaro ao sol é hino
Um papel ao vento é dança
E nas ondas de uma trança
Ves o mar em desatino
Desde a praia em que enfim poisas

É por isso que estou a tentar
Um poema para ti escrever
Mas tanto fica por dizer
Tanto fica por explicar
Tinha tanto para contar
E há ainda tanto para viver
Que acho que, quando morrer
Deixarei o livro de teu nome por acabar,
Sónia.

Braga, 12 de Fevereiro de 2004, 5:40

21 janeiro 2004

Hoje

Passou-se mais um dia, de repente
Mas este, sem nada fazer crer
Não foi um dia triste como os outros
Este foi para bem melhor diferente

Trabalhar nunca pareceu tão fácil
Passou num ápice esse penoso tempo
Almoço farto, enorme o apetite
O tempo, a voar como o vento

Tomar café, falar como viver
Com quem os frios dias me aquece
De tudo e nada, tudo dizer apetece
E o tempo, esvaindo-se a correr

O por-do-sol, na escada de pedra
Com irmãos de alma a olha-lo a meu lado
Iluminando o fim de mais um dia
Num quadro que jamais será pintado

Jantar de amigos, e mais uma conversa
Voltar para casa, que já o tempo foge
E se amanha não for dia melhor
Espero que seja tão bom como foi hoje.

Braga, 21 de Janeiro de 2004, 2:30

Então, até amanha!

18 janeiro 2004

Do Outro Lado

Do outro lado
Os faróis me assombram.
Etéreos, iluminando,
Tocando o amâgo de mim.

E o som, que mal ouvi,
Ecoa nas paredes
Das memórias minhas,
Ribombando qual trovão.

E o sol fugaz
Ofusca a luz do salão,
Tudo despertando em mim,
Doendo sem brilhar.

Ainda vejo e sinto
Os teus olhos, a tua voz, a tua face.
E de novo nos vejo,
Eu e tu, sózinhos
No meio de tantos outros.
Mas tu sempre ficaste
Do outro lado.

Braga, 16 de Janeiro de 2004, 5:20

17 janeiro 2004

Vidas

No mar, eis os veleiros
De rotas distintas.
As vezes juntos,
Qual cardume,
Outras afastados
Como lobos na noite.

De destino certo, vogam
Ao sabor de ventos,
Tempestades ou calmia.
De pouco vale leme,
Pois o mar manda
Onde a seguir vão.

Alguns encalham.
Outros, rasgam-se as velas.
Outros há que vão
Na direcção errada.
Outros ainda
Parados no mar alto.

Eu parei.
Fiquei aqui,
A ver-te.

E tu,
Que vogavas
À deriva

Partiste
De velas ao vento
Na rota certa

E eu
Vi-te partir
E sorri.

Braga, 15 de Janeiro de 2004, 6:40

30 dezembro 2003

+365

Impenetravel decorrer
E afinal
Que significa?
Não passa de mais um
Entre tantos outros que o foram.
É só um momento
Uma hora
Um pensamento
Que acaba antes de começar
Uma mistica
Um ponto de passagem
Uma festa para vender
Mais um dia normal
Simplesmente
Banal.

Ou não.

Braga, 30 de Dezembro de 2003, 16:20