04 março 2004

Tela em ti

Surgiste da noite, vogando entre a bruma.
As mãos abertas, pedindo meu abraço.
E eu pousei minha alma em teu regaço,
E toquei teus cabelos qual espuma.
Enganando os designios da fortuna,
Contemplando de teu rosto o belo traço,
Pintado sem esquadro nem compasso.
E beijei os teus lábios com ternura.

Braga, 3 de Março de 2004, 21:57

03 março 2004

Amor Meu

Sê o meu refúgio
A minha cabana secreta
Onde mais ninguém encontra
A paz, terna e completa,
Constância que não se compra
Os livros e as memórias
Fotos, roupas e odores,
Sabores, todas as histórias
Amores e desamores
O baú dos sentimentos
A poeira da saudade
As mézinhas e unguentos
A bengala da verdade
O baloiço da inocência
Arranhado por traquinas
Movidos a irreverência
Ar puro por vitaminas
A Tv do pôr-do-sol
Pintado no céu azul
A Rádio num rouxinol
Voando de norte a sul
A capa de um estudante
Negra na noite fria
O beijo de um amante
De paixão e de alegria
O amor, o meu e teu
Num lençol de cetim
E todas as estrelas do céu
Guarda-as para mim
Porque eu vou chegar cedo
Com carinho e cansaço
Com coragem e com medo
Vou pedir, com um abraço:
Sê o meu refúgio.

Braga, 3 de Março de 2004, 2:37

Soneto para ti

Houve um dia água do mar
A escorrer pelas colinas
E perolas cristalinas
Que deixaram de brilhar

Houve um dia asfixiante
De dormência, de torpor
A temperatura, o odor
De lava calcinante

O metal ardente
Enterrado no ventre
Da terra-mãe em dor

Deixando-a doente
Mas não para sempre
Um dia estará melhor

Braga, 3 de Março de 2004, 1:58

Dou T-1 Duplex

Tanto queria eu beijar
Como posso eu explicar
As marcas desse amargo fado
Que a cada passo dado
E tê-lo passado ao teu lado
Me sinto encorajado
A dor queria mitigar
Para te conquistar


Braga, 3 de Março de 2004, 1:22

13 fevereiro 2004

Tu

Suave, gentilmente
Tocas por quem passas
Mas a tua marca é quente
Indelevel, perene
Forte, doce e viciante

A quem ouve abres a alma
Alargas o coração
Fazes viajar no sentimento
Deixas para trás o tempo
Da tristeza, e do tormento
Tens balsamo que salva.
Da beleza fazes canção
Do amor dás a lição.

Ves nas pequenas coisas
O sorriso de criança
Um pássaro ao sol é hino
Um papel ao vento é dança
E nas ondas de uma trança
Ves o mar em desatino
Desde a praia em que enfim poisas

É por isso que estou a tentar
Um poema para ti escrever
Mas tanto fica por dizer
Tanto fica por explicar
Tinha tanto para contar
E há ainda tanto para viver
Que acho que, quando morrer
Deixarei o livro de teu nome por acabar,
Sónia.

Braga, 12 de Fevereiro de 2004, 5:40